Depois de conquistar leitores em Portugal, o romance “A cor da tua sombra” chega às livrarias em Moçambique sob a chancela da Catalogus. Trata-se da estreia de Eduardo Quive em romance, depois de publicar livros de poesia e contos.
A obra confirma o interesse do autor por histórias marcadas pela memória, do individual ao colectivo, pela identidade, pelas relações humanas e a reinvenção da tragédia.
Em “A cor da tua sombra”, Eduardo Quive constrói uma narrativa sobre aquilo que permanece escondido no interior das pessoas, nas famílias e na sociedade. O romance interroga os silêncios, as ausências e as marcas deixadas pelo passado, acompanhando personagens confrontadas com as suas escolhas, os seus afectos e as circunstâncias que condicionam os seus destinos.
A narrativa ambienta-se num Moçambique contemporâneo, cruzando os dilemas identitários, as memórias fragmentadas, desafios sociais no meio urbano o que torna ainda mais complexas as relações humanas. A história é contada sob o ponto de vista de uma família desestruturada por várias tragédias desde a Zambézia e a Maputo.
Sobre este romance, Mia Couto deixa algumas palavras generosas, mas justas: “Neste livro de estreia em prosa, Eduardo Quive conseguiu aquilo que muitos prosadores procuram durante a vida inteira: uma escrita ao mesmo tempo sensível e acutilante, encantada sem nunca se desamarrar de um quotidiano que exclui e anula a nossa partilhada humanidade.”
Esta é a segunda obra do autor publicada pela Catalogus. Em 2024 publicou o livro de contos “Mutiladas” amplamente elogiado pela crítica e seleccionado para integrar o projecto “Caixa de Autores de Língua Portuguesa” que é uma iniciativa da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), através do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP) para o acesso livros e leitura no ensino secundário.
Para a Catalogus, a chegada de “A cor da tua sombra” aos leitores moçambicanos constitui uma oportunidade para ampliar o contacto do público com a produção literária nacional, contribuindo para a publicação de narrativas que dialogam com a sociedade e para a consolidação de uma cultura de leitura no país.
Eduardo Quive é escritor, jornalista e promotor cultural moçambicano. A sua escrita desenvolve-se no cruzamento entre literatura, memória e observação crítica da sociedade, dando particular atenção às experiências humanas e às questões sociais e políticas do Moçambique contemporâneo. Com o livro de poesia “Para onde foram os vivos” foi finalista do Prémio Mia Couto 2023; o seu livro de contos “Mutiladas” (2024) foi indicado para projecto de incentivo à leitura no ensino nos Países de Língua Oficial Portuguesa.