O documentário “Ecos”, de Gigliola Zacara, foi seleccionado para representar Moçambique na 19.ª edição do Global Film Festival Noida (GFFN), entre os dias 16 e 17 de Setembro, na Índia, numa participação coordenada pelo Instituto Nacional das Indústrias Culturais e Criativas (INICC, IP), ao abrigo do Ministério da Educação e Cultura.
A presença de “Ecos” num palco desta dimensão representa um reconhecimento internacional do valor artístico e social do cinema moçambicano, e reforça a posição de Moçambique no mapa cinematográfico mundial. Ao levar ao público indiano e internacional uma obra que dá voz a mulheres vítimas de Violência Baseada no Género, o filme transforma uma experiência de sofrimento e resistência num instrumento de sensibilização global, ampliando o alcance de uma causa que ultrapassa fronteiras culturais e geográficas.
Para o país, esta participação traduz-se em maior visibilidade internacional da produção audiovisual nacional, no fortalecimento das relações culturais entre Moçambique e a Índia, e na afirmação do cinema como instrumento de diplomacia cultural e de promoção da imagem de Moçambique no exterior.
Para a realizadora Gigliola Zacara, representa a consagração de um percurso dedicado à intersecção entre arte e activismo, abrindo portas a novas parcerias, coproduções e oportunidades de distribuição internacional, e reforçando o seu papel como uma das vozes mais relevantes do cinema de intervenção social na região.
Uma trajectória de impacto: mais de 90 exibições
Desde a sua estreia oficial em Agosto de 2023, no Centro Cultural Franco-Moçambicano (CCFM), "Ecos" — que aborda a Violência Baseada no Género (VBG) através dos depoimentos de mulheres em reclusão no Estabelecimento Penitenciário Preventivo da Cidade de Maputo — somou aproximadamente 90 sessões de exibição pelas regiões sul e norte do país (incluindo Nampula, Niassa e Cabo Delgado), através de sessões institucionais e comunitárias, sessões académicas em escolas e universidades, e exibições em estabelecimentos prisionais, como a Cadeia Civil de Maputo e o Estabelecimento Penitenciário Regional de Nampula.
O impacto do documentário ultrapassou também o circuito de exibição: em Dezembro de 2023, “Ecos” foi eleito o filme mais assistido em Moçambique na "Chamada aos Criadores de Cinema", promovida pela plataforma nacional de cinema NetKanema, e tem sido utilizado por estudantes e investigadores como referência em trabalhos académicos, incluindo monografias de licenciatura e dissertações de mestrado em Moçambique, no Brasil e em Espanha.
Na 2.ª edição do Festival RENUAC, no Chile, "Ecos" foi distinguido com quatro prémios: Melhor Filme Documentário, Melhor Direcção, Melhor Roteiro Original e Melhores Efeitos Visuais — juntando-se às mais de 17 distinções internacionais e nacionais já acumuladas pela realizadora ao longo da sua carreira cinematográfica.
Para além da Índia, a nova rota internacional em 2026 incluiu Seul, na Coreia do Sul, em Maio, no 8.º Festival de Cinema Africano, integrando as celebrações globais do Dia de África.
“Ecos” num dos maiores palcos de cinema do mundo
Global Film Festival Noida é reconhecido como um dos maiores e mais prestigiados festivais académicos de cinema do mundo, reunindo anualmente cineastas, artistas, profissionais
Promovido pelos Marwah Studios, sob a liderança do Dr. Sandeep Marwah, o Global Film Festival Noida é reconhecido como um dos maiores e mais prestigiados festivais académicos de cinema do mundo, reunindo anualmente cineastas, artistas, profissionais de media, diplomatas, académicos e entusiastas de cinema de dezenas de países.
A 19.ª edição, prevista para reunir participantes de cerca de 100 países, pretende ser a mais dinâmica e inclusiva de sempre, com uma programação que inclui exibições de filmes internacionais, seminários, masterclasses, workshops, exposições e performances culturais, além de sessões de networking entre cineastas, produtores, distribuidores, educadores e profissionais de media.
Entre os objectivos centrais desta edição destacam-se a promoção do cinema com significado social, o intercâmbio cultural entre nações, a valorização da excelência criativa e o reforço da diplomacia cultural através da sétima arte — na convicção, defendida pelos organizadores, de que a arte e a cultura são das pontes mais fortes entre os povos.
Gigliola Zacara é uma artista multifacetada e pesquisadora, licenciada em Estatística e Gestão de Informação. É gestora cultural, realizadora, roteirista e activista dos direitos humanos, unindo as artes cénicas — como actriz, encenadora, bailarina e coreógrafa — à transformação social, através de acções em defesa das minorias e promoção da cidadania pelas artes.
É Directora Executiva da GZ – Comunicação & Imagem, produtora de conteúdos audiovisuais, e fundadora da Associação Centro de Recriação Artística, focada no desenvolvimento sociocultural. Lidera o programa 7Ofícios – Rede de Mulheres Artistas, que utiliza a arte para a transformação social e defesa dos direitos das mulheres e raparigas, e integra, desde 2019, o Comité Regional da IACAET África (University of the Witwatersrand), representando Moçambique nas Artes Cénicas.
Ao longo da sua trajectória, acumulou mais de 17 distinções internacionais e nacionais com o seu trabalho cinematográfico, reconhecida através de obras como “Silêncio” (Melhor Direcção no Africa Human Rights Film Festival) e “Nkwama”, consolidando o seu percurso com “Ecos”, afirmando-se hoje como uma das vozes mais vibrantes do cinema e da intervenção social em Moçambique.