O artista moçambicano Ildefonso Colaço apresenta, a partir de 9 de Setembro, em Maputo, a exposição fotográfica “O corpo como fronteira”, uma proposta que explora as relações entre corpo, cidade e identidade, transformando diferentes espaços urbanos em parte integrante da narrativa visual.
A exposição que conta com a curadoria de Inês Dias ficará patente até 20 de Novembro estará patente nas grades exteriores do Centro Cultural Franco-Moçambicano (CCFM).
Mais do que apresentar fotografias, a mostra procura criar uma conversa entre os corpos e os lugares onde estes existem. Nas imagens, becos, ruínas e diferentes paisagens urbanas deixam de ser apenas cenários e passam a fazer parte da própria narrativa. O corpo aparece como presença, mas também como memória, identidade e forma de ocupar e reivindicar o espaço.
A exposição reúne cerca de 15 fotografias de grande formato, construídas entre o registo documental e uma dimensão mais imaginária. As imagens exploram gestos, posições e enquadramentos que aproximam a fotografia da performance, criando uma relação particular entre a matéria humana e a arquitectura da cidade.
A proposta parte também da ideia de “re-existência”, entendida como a capacidade de existir, resistir e reinventar-se. Inspirada por referências do Afrofuturismo, a exposição olha para o espaço urbano não apenas como aquilo que é, mas também como aquilo que pode vir a ser. É nesse encontro entre presente, memória e futuro que o trabalho de Colaço procura encontrar novas possibilidades para pensar a experiência africana.
Nascido em Maputo, em 1999, e com raízes no bairro de Maxaquene, Ildefonso Colaço começou a fotografar em 2015. A fotografia tornou-se, desde então, uma forma de observar as vivências urbanas e dar atenção a realidades que muitas vezes passam despercebidas no quotidiano da cidade.
O seu trabalho cruza fotografia documental, performance e intervenção artística, procurando construir imagens que não se limitam a mostrar um lugar ou uma pessoa, mas que contam alguma coisa sobre a forma como os indivíduos se relacionam com os espaços que habitam.
A curadoria de Inês Dias acrescenta à exposição uma perspectiva ligada à investigação sobre cinema, cultura e política no mundo lusófono, particularmente em contextos como Moçambique e Angola.
Ao ocupar as grades exteriores do CCFM, “O corpo como fronteira” também aproxima a arte do espaço público. A exposição convida o público a parar, observar e pensar sobre aquilo que normalmente atravessamos sem reparar: os corpos, as paredes, os becos, as ruínas e as histórias que a cidade guarda.
Mais do que uma exposição sobre fotografia, esta proposta traz um olhar sobre quem somos, os lugares que ocupamos e as possibilidades de imaginar outros futuros a partir deles.