O M’Saho – Festival de Timbila, a acontecer desde quinta-feira, no distrito de Zavala, em Inhambane, faz hoje o seu segundo dia com actividades marcadas para o Centro de Interpretação de Timbila, na povoação de Guilundo, residência do Mestre Venâncio Bande, o rosto mais visível da cultura chopi.
Durante a manhã, entre as 9h00 e as 13h00, o programa contempla um ensaio público da orquestra M’kwayo, formada por 35 dos melhores timbileiros provenientes de diferentes orquestras do distrito de Zavala. A criação desta formação constitui um dos momentos de maior simbolismo desta edição, ao reunir instrumentistas de diferentes grupos num mesmo espaço de aprendizagem, troca de experiências e construção colectiva.
Mais do que uma nova formação musical, a M’kwayo representa uma experiência de encontro entre diferentes gerações de timbileiros e de partilha de técnicas e conhecimentos que normalmente permanecem associados às respectivas orquestras e comunidades. O processo culminará numa apresentação pública no último dia do festival, 29 de Agosto, no Aeródromo da Vila de Quissico.
A programação desta sexta-feira mantém igualmente a dimensão formativa que caracteriza a XXX edição do M’Saho. No Centro de Interpretação da Timbila continuam os workshops de construção e reparação de instrumentos, orientados por mestres artesãos locais, permitindo aos participantes conhecer de perto técnicas tradicionais relacionadas com a produção e manutenção das timbilas.
Em paralelo, timbileiros e bailarinos de referência partilham conhecimentos sobre técnicas de execução musical e dança, abordando a relação entre o som, o movimento corporal, a construção das composições e a história desta manifestação artística. Os participantes têm ainda a possibilidade de experimentar directamente algumas destas práticas, aproximando o público dos processos que sustentam a existência da timbila enquanto património vivo.
A transmissão de conhecimentos estende-se também às escolas secundárias do distrito. Palestras e workshops de música e cultura de timbila levam o festival para dentro das instituições de ensino, aproximando esta manifestação das novas gerações e colocando estudantes em contacto com conhecimentos que fazem parte da memória cultural das suas comunidades.
Esta aposta na juventude responde a uma das questões centrais da preservação do património: garantir que os conhecimentos não permanecem apenas entre os mestres e os grupos actualmente activos, mas encontram novos praticantes capazes de os receber, transformar e transmitir no futuro.
Reconhecida pela UNESCO como Património Cultural Imaterial da Humanidade, a timbila constitui um dos mais importantes símbolos da identidade cultural moçambicana. No M’Saho, a sua preservação é assumida não apenas através dos espectáculos, mas também pela formação, documentação, investigação, intercâmbio e participação directa das comunidades.
A realização desta edição ganha particular significado por marcar três décadas de existência do M’Saho, uma celebração que procura renovar o compromisso com a valorização da timbila e da cultura Chopi. A iniciativa é organizada pelo Conselho Executivo Provincial de Inhambane, com produção da Top Produções e patrocínio da Sasol.