A artista plástica moçambicana Fauziya Fliege foi distinguida com o “Art Africa Award of Honour”, na categoria de Melhor Artista Feminina Internacional, no âmbito da exposição colectiva “Colour Cure IV: She Carries the Market”, patente de 24 de Outubro a 24 de Novembro de 2026, na galeria Art Africa, em Accra, capital do Ghana.
A distinção reconhece a excelência artística e o contributo da artista para a arte africana contemporânea, destacando a capacidade da sua obra de inspirar mulheres, promover o diálogo cultural e gerar impacto social. O certificado que simboliza a distição foi emitido pela Art Africa Gallery e foi endossado pelo Ministério do Turismo, Cultura e Artes Criativas da República do Ghana.
De acordo com a curadoria de Sasa King e Henry Duah, Fauziya Fliege transforma cores vibrantes, movimento e texturas sobrepostas em poderosas reflexões sobre identidade, memória cultural e resiliência. “Enraizada na força das mulheres africanas, a sua obra homenageia as histórias, as lutas e a força silenciosa daquelas que sustentam famílias, comunidades e gerações”.
Para King e Duah, o seu percurso de exposições internacionais que abrange África, Europa e Américas, Fliege dá voz à arte africana contemporânea através de uma expressão marcadamente vibrante e emocional, celebrando as mulheres cuja força sustenta famílias, comunidades e gerações.
Sob o tema “She Carries the Market”, que em inglês significa literalmente “Ela carrega o mercado às costas”, a quarta edição da Colour Cure propõe uma reflexão sobre o trabalho, os sacrifícios e a resistência das mulheres que asseguram o funcionamento dos mercados, sustentam as suas famílias e desempenham um papel determinante na vida económica e social das comunidades.
A exposição que conta com quatro obras de Fliege coloca em evidência, em particular, as mulheres comerciantes e as ‘kayayei’, designação utilizada no Ghana para as mulheres e raparigas que transportam mercadorias nos mercados e centros comerciais, muitas vezes em condições fisicamente exigentes. Mais do que celebrar o que estas mulheres produzem ou vendem, a iniciativa procura reconhecer aquilo que carregam, tanto no plano físico como emocional.
“A ‘Colour Cure’ sempre foi sobre criar espaços onde as mulheres podem partilhar as suas histórias através da arte e falar a partir de diferentes perspectivas e identidades”, explica Sasa King, ao apresentar a abordagem que orienta o projecto.
Segundo a curadora, a escolha do tema resultou da vontade de ir além da celebração convencional das mulheres e das suas realizações, promovendo também uma reflexão sobre as responsabilidades, as dificuldades e as experiências que marcam as suas vidas.
“Ela carrega o mercado” tornou-se, assim, uma expressão que procura representar a mulher na sua complexidade, enquanto trabalhadora, mãe, empreendedora e agente de transformação social.
A dimensão humana da exposição é igualmente sublinhada por Henry Duah, que chama atenção para as responsabilidades físicas e emocionais assumidas pelas mulheres que trabalham nos mercados. Por detrás do movimento comercial, das transacções e da circulação de pessoas, existem histórias individuais que nem sempre recebem a atenção que merecem.
A reflexão estende-se às condições de trabalho das ‘kayayei’, algumas das quais começam a trabalhar antes do amanhecer e transportam cargas pesadas para garantir o seu sustento. Embora frequentemente confrontadas com situações de vulnerabilidade, estas mulheres demonstram uma capacidade de resistência que desafia percepções simplistas sobre fragilidade feminina.
Criada pelo embaixador Kojo Choi, a “Colour Cure” é uma iniciativa artística que utiliza a arte como instrumento de sensibilização para o cancro, procurando mobilizar artistas e públicos em torno da prevenção e da consciencialização sobre a doença. Na sua quarta edição, a mostra reúne oito mulheres artistas e associa a valorização da criação artística à promoção de causas sociais, destinando parte das receitas da venda das obras a esta área.