A Timbila prepara-se para ganhar novas dimensões no palco da Sala Grande do Centro Cultural Franco-Moçambicano (CCFM), em Maputo, com o concerto “Timbila Global – 10 movimentos, 10 caminhos”, marcado para hoje (11), às 20h00.
Liderado pelos músicos Cheny Wa Gune e Timóteo Cuche, o espectáculo propõe uma viagem pela história, memória e transformação desta importante expressão da tradição musical chope.
Inspirado na arquitectura do M’Saho, uma das formas mais elaboradas de composição da música chope, o concerto está organizado em dez movimentos que representam diferentes caminhos percorridos pela Timbila ao longo do tempo. De Zavala às minas da África do Sul, passando pelos encontros com a Marrabenta e o Kwela e pelos diálogos estabelecidos com o Jazz e outras sonoridades afro-diaspóricas, a proposta procura mostrar que a tradição não é estática, mas uma linguagem capaz de se renovar sem perder as suas referências.
Ao revisitar estes caminhos, “Timbila Global” presta igualmente homenagem a nomes importantes da composição tradicional, entre eles Catíni, Gomucomo e Saúli Ilova, reconhecendo o contributo de diferentes gerações para a construção e continuidade deste património musical. O espectáculo parte desse legado para experimentar novas possibilidades de criação, aproximando instrumentos, ritmos e experiências musicais de diferentes geografias.
A dimensão internacional é uma das características do projecto. A apresentação reúne músicos ligados a diferentes contextos de Moçambique, África, Europa e América Latina, criando um espaço de intercâmbio em que a Timbila se encontra com outras referências musicais. Mais do que apresentar a tradição ao público, o concerto procura colocá-la em movimento, permitindo que ela dialogue com linguagens contemporâneas e com experiências culturais distintas.
No palco estarão Cheny Wa Gune, na Timbila 1; Kelvin Massangaie, na Timbila 2; Alternor Massangaie, na Timbila 3; Timóteo Cuche, no saxofone; Orlanda da Conceição, no contrabaixo e Tony Paco, na percussão.
A formação cria uma ponte entre a sonoridade característica das timbilas e instrumentos associados a outras linguagens musicais, reforçando a ideia de encontro que está no centro do espectáculo.
A proposta ganha particular relevância num momento em que a preservação do património cultural passa também pela capacidade de encontrar novas formas de o apresentar às gerações actuais. Ao recuperar compositores, memórias e percursos históricos e colocá-los em diálogo com sonoridades contemporâneas, “Timbila Global” procura demonstrar que valorizar a tradição não significa mantê-la isolada, mas permitir que continue a produzir novos sentidos.
Com dez movimentos e dez caminhos, Cheny Wa Gune e Timóteo Cuche apresentam, assim, uma leitura artística da Timbila que ultrapassa a simples reprodução do repertório tradicional. O concerto propõe uma experiência em que memória e inovação se encontram, levando para o palco uma expressão cultural moçambicana que continua a atravessar fronteiras e a encontrar novas formas de dialogar com o mundo.