O Luju Food & Lifestyle Festival, evento que teve lugar no último fim-de-semana em Eswatini tinha dois palcos e vários pontos de música e animação. Ora, o palco principal – que acolheu os maiores artistas performáticos do evento, incluindo a cantora moçambicana Neyma – foi, pela oitava vez consecutiva, concebido pela Marrabenta Special Events & Technology, a mesma empresa que nos brinda com o Festival Marrabenta quando chega a hora de homenagear os guerreiros de Marracuene e já lá vão 20 anos – que se completam em 2027.
A estabilidade do palco e a qualidade de som e luz são, sem dúvidas, elementos que colocam Moçambique em um pedestal de produção e gestão de grandes eventos muito a frente de vários países e com a presença da equipa e equipamentos moçambicanos na 8.ª edição essa certeza é cada vez mais evidente e ilustra o caminho certo pelo que percorrem as indústrias culturais e criativas moçambicanas.
A Entre Aspas testemunhou “in loco” os dois dias do evento, sentiu a magia do equipamento moçambicano em cada performance e em cada ritmo e, como se não pudesse deixar de ser, conversou com Paulo Sitoe, mais conhecido por Litho Sitoe, o design e coordenador da produção e explorou os detalhes desta eterna participação ao Luju, um evento que movimenta mais de 10 mil pessoas anualmente.
Litho Sitoe dedicou alguns alguns minutos para falar dos desafios logísticos, do envolvimento de técnicos moçambicanos e da projecção internacional da indústria criativa moçambicana que, gradualmente, tem demonstrado maior capacidade de produção e gestão de eventos de alto nível e com exigências técnicas acima da média, referindo que esta edição foi especial porque permitiu que a sua empresa elevasse o nível de produção, ousando em na abordagem e ferramentas, mais do que (até) foi solicitada.
O que é que a Marrabenta levou na bagagem para o Luju Food & Lifestyle Festival 2026?
Desde a primeira edição do Luju Festival somos responsáveis pelo palco principal, com absolutamente tudo. Trouxemos toda a infraestrutura técnica, incluindo palco, som, iluminação, ecrãs LED, geradores e, claro, a equipa técnica. Tudo aquilo que se vê e se ouve no palco principal. Foi um processo delicado, principalmente de exportação. Antes não era válido qualquer protocolo. Mesmo agora é complicado, porque o tipo de material que trazemos, normalmente, não é padronizado, não tem números de séries. Portanto, é complicado conferir que o material que vem é o mesmo que volta. Tivemos de recorrer aos protocolos regionais da SADC ligados à cultura, jornalismo e desporto para garantir a circulação da carga entre os dois países.
Quantos profissionais moçambicanos estiveram envolvidos nesta operação?
Participaram 23 técnicos, divididos em duas equipas. A primeira chega com cerca de 15 dias de antecedência para montar toda a infraestrutura. Depois entra a equipa especializada durante sete dias que opera os sistemas de som, luz e vídeo durante o festival.
Qual é a capacidade técnica da estrutura instalada?
Trouxemos equipamento com capacidade para 25 mil pessoas. O palco tem aproximadamente 16 metros de altura, mais ou menos um prédio de seis andares, e utiliza a mesma tecnologia que empregamos em grandes espetáculos realizados em Moçambique, como os do Campo de Maxaquene que se ouve em Mafalala.
O que representa para si e para Moçambique prestar este tipo de serviço num festival internacional como Luju?
Para mim, é uma honra muito grande. Recorrendo à linguagem desportiva, diríamos que é um outro campeonato. Trabalhamos ao lado de fornecedores de referência baseados na África do Sul e mostramos que Moçambique consegue operar ao mesmo nível técnico e até subir. O nível de preparação e de controle são elevados. Só para ter ideia, nós não fazemos ensaios e nem teste de som ou de luz. Recebemos as bandas 15 minutos antes de subirem ao palco. Abrimos a aparelhagem ao mesmo tempo com o público. Em Moçambique, estamos muito a frente. O nível de preparação da equipa é extremo. Num determinado ano, em Maputo, conseguimos produzir espectáculos desde o Richard Bona até ao Festival de Zouk. A nossa experiência em grandes eventos internacionais permitiu-nos chegar aqui preparados para responder às exigências de um festival como Luju.
Qual é o investimento necessário para montar uma estrutura desta dimensão?
Se todos os custos fossem contabilizados — equipamentos, transporte, pessoal, seguros e logística por 15 dias — o valor rondaria entre dois a dois milhões e meio de rands. Trata-se de um investimento elevado, mas é desenvolvido em regime de parceria com a organização do festival e fazemos um exercício colaborativo.
Como avalia esta oitava edição do Luju Festival?
Esta edição permitiu-nos elevar ainda mais o nível da produção. Não nos limitámos a responder ao pedido do cliente. Saímos do padrão, do pedido do cliente; propusemos soluções técnicas próprias e demonstrámos aquilo que Moçambique é capaz de fazer em matéria de produção de grandes eventos. Conseguimos fazer uma cobertura para permitir que haja onde não se ilumina e onde o som não chega, para permitir pessoas conversarem, porque o Luju tem diferentes espaços e outros palcos à volta e trabalhamos para permitir que haja ruído, mas também o silêncio.
Que mensagem gostaria de deixar sobre a produção cultural em Moçambique?
A cobertura da cultura deve valorizar não apenas os artistas, mas também os profissionais que trabalham nos bastidores. Mostrar esse trabalho incentiva outros técnicos e empresas a acreditarem que também podem alcançar eventos internacionais. A participação da Marrabenta no Luju Food & Lifestyle Festival 2026 evidencia o crescimento da indústria de produção de espectáculos em Moçambique.
Sabe-se que a Marrabenta é uma empresa de criação, produção e realização de grandes eventos, espetáculos musicais e festas de âmbito público e privado. É uma família de artistas e produtores que se juntou há mais de vinte anos, com diferentes saberes e valências na área artística, musical e de gestão humana.
A Marrabenta possui uma elevada experiência na organização e criação de eventos corporativos, institucionais, para além de grandes produções nacionais e internacionais de referência, nomeadamente, espectáculos e festivais musicais, dança e de cultura tradicional.
Elcídio Bila
Oficial de comunicação e criativo com mais de 10 anos de experiência em jornalismo, assessoria de imprensa, edição e produção cultural. A sua trajectória destaca‑se pela versatilidade, cruzando media, criação literária e projectos socioculturais. Reúne competências em escrita criativa, edição de imagem, vídeo e design gráfico, complementadas por capacidade de liderança e gestão de equipas.