A Secretária de Estado das Artes e Cultura, Matilde Muocha, defende maior investimento nas indústrias culturais e criativas, considerando que as artes constituem uma actividade económica capaz de gerar emprego, promover o desenvolvimento e projectar a identidade dos países.
A governante falava recentemente, em Maputo, durante o lançamento da 8.ª edição do Standard Bank Luju Food & Lifestyle Festival. Para a governante, o evento que decorrerá nos dias 1 e 2 de Agosto de 2026, em Malkerns, Eswatíni, é uma plataforma de internacionalização cultural.
Durante a sua intervenção, Matilde Muocha destacou a necessidade de reconhecer o valor económico do talento artístico, sublinhando que, por detrás da música, moda, dança, gastronomia, artes visuais e artesanato, existe uma cadeia económica que envolve diferentes profissionais e oportunidades de negócio.
A governante considerou que a percepção social sobre as profissões criativas ainda precisa de ser transformada, uma vez que muitas famílias continuam a desencorajar crianças que demonstram interesse pelas artes. Para Matilde Muocha, os dados sobre a economia criativa demonstram, contudo, que o talento artístico pode constituir uma actividade profissional e contribuir para o desenvolvimento económico e social. “Os números fazem-nos entender que há toda uma economia complexa e grande por detrás do talento, da habilidade e da vocação”, afirmou.
A Secretária de Estado considerou igualmente que o Luju Festival representa uma oportunidade estratégica para a promoção da cultura moçambicana além-fronteiras, tendo em conta a dimensão do público e a visibilidade mediática alcançada pelo evento. Na sua perspectiva, a participação de criadores nacionais permite apresentar a diversidade cultural do país a novos públicos e integrar Moçambique nos circuitos culturais e económicos da região. “O Luju é uma porta para a visibilidade das artes moçambicanas”, destacou.
Muocha apelou ainda a um maior envolvimento do sector privado no financiamento das artes e da cultura, defendendo que os investimentos em patrocínio cultural e responsabilidade social corporativa devem contemplar as indústrias criativas.
A governante destacou também o papel da cultura como instrumento de diplomacia e aproximação entre os povos, considerando que a participação de Moçambique no festival contribui para fortalecer os laços culturais com Eswatíni e outros países africanos. “A arte e a cultura são, sem sombra de dúvidas, ferramentas de exercício ao mais alto nível da diplomacia entre os países e de produção de uma imagem positiva sobre as nossas nações”, afirmou.
Nesta edição, Moçambique estará representado pela cantora Neyma e pelo projecto Ka-Tembe Connexion, juntando-se a representantes nacionais das áreas da gastronomia e da moda. O festival terá como lema “Um Regresso ao Futuro Africano”, enquanto a componente de moda será orientada pelo tema “Kwasukasukela”, inspirado nos contos tradicionais, e a gastronomia valorizará ingredientes indígenas e ancestrais.
Promovido pela House on Fire, em parceria com o Standard Bank Eswatíni, o Luju Festival reúne música, gastronomia, moda, artes visuais e empreendedorismo criativo. Moçambique representa actualmente o segundo maior mercado do festival, depois da África do Sul.