O farmacêutico moçambicano Alexandre Cobre criou um sistema de Inteligência Artificial (IA) que localiza medicamentos, compara preços e indica disponibilidade em farmácias, com mais de 200 registadas na plataforma, na província de Nampula.
Trata-se de uma plataforma digital moçambicana focada no sector da saúde, especialmente na localização e gestão de medicamentos, farmácias e serviços farmacêuticos através de inteligência artificial. O projecto foi desenvolvido pela empresa MozBioMed e tem vindo a ganhar atenção como uma das iniciativas tecnológicas mais inovadoras no ecossistema digital moçambicano.
A plataforma funciona como um ecossistema inteligente de saúde digital, permitindo que cidadãos encontrem medicamentos disponíveis em farmácias próximas, comparem preços e comuniquem directamente com farmacêuticos. A ideia central é resolver um problema muito comum em Moçambique: pessoas que precisam de medicamentos urgentes, mas não sabem em que farmácia estão disponíveis.
Entre as principais funcionalidades da Muzi estão a pesquisa de medicamentos em tempo real; identificação da farmácia mais próxima; comparação de preços entre farmácias; chat directo com farmacêuticos; envio de fotografias de receitas médicas; gestão inteligente de stock para farmácias; organização de dados de consumo farmacêutico; automatização de processos internos das farmácias.
A plataforma também foi concebida para beneficiar diferentes públicos ao mesmo tempo. Para os cidadãos, por exemplo, A Muzi facilita o acesso rápido à medicação, reduz deslocações desnecessárias e ajuda o utilizador a encontrar opções mais acessíveis financeiramente.
Já para as farmácias, a plataforma oferece ferramentas de gestão e digitalização. Segundo as informações divulgadas, as farmácias podem utilizar sistemas inteligentes para controlo de inventário, atendimento ao cliente e análise de dados de consumo, o que ajuda a melhorar eficiência operacional e reduzir rupturas de stock.
Outro ponto interessante está ligado à componente analítica. A Muzi recolhe dados anonimizados que podem ajudar autoridades de saúde a compreender padrões de consumo de medicamentos, escassez de produtos e necessidades regionais.
De acordo com Alexandre Cobre, a motivação surgiu da dificuldade que muitos pacientes enfrentam diariamente para encontrar medicamentos. Segundo ele, a plataforma pretende “aliviar o sofrimento do público” através de informação em tempo real.
A Muzi não se apresenta apenas como uma aplicação simples, mas como um “ecossistema de inteligência artificial”, isso significa que a plataforma procura integrar diferentes soluções digitais num mesmo ambiente tecnológico.
Actualmente, mais de 200 farmácias estão registadas na plataforma na província de Nampula, mesmo numa fase inicial de implementação. E o lançamento oficial foi anunciado para o Hospital Central de Nampula.
Em termos estratégicos, a Muzi representa uma tendência importante em África: o crescimento de plataformas digitais locais adaptadas às necessidades reais do contexto africano, em vez de simplesmente replicar modelos estrangeiros.