O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, tomou conhecimento das potencialidades turísticas do Parque Nacional de Maputo e das iniciativas de desenvolvimento comunitário promovidas nas comunidades abrangidas pela área de conservação, durante a sua visita, esta quarta-feira (16), ao distrito de Matutuíne, na província de Maputo.
A apresentação foi feita pelo administrador do Parque Nacional de Maputo, Miguel Gonçalves, que deu a conhecer ao Chefe do Estado diferentes iniciativas desenvolvidas com o envolvimento das comunidades locais, com destaque para actividades de geração de rendimento, formação profissional e valorização de recursos disponíveis nas próprias comunidades.
O Parque Nacional de Maputo, localizado no distrito de Matutuíne, reúne uma diversidade de ecossistemas que inclui florestas de solos arenosos, mangais, zonas húmidas, dunas, lagoas costeiras e áreas de savana. A sua biodiversidade constitui uma das principais bases para o desenvolvimento do turismo de natureza na região. Entre as espécies que podem ser observadas no parque encontram-se elefantes, zebras, girafas, hipopótamos, crocodilos e diversas espécies de aves.
A relevância ambiental da área ganhou uma nova dimensão em Julho de 2025, quando o Parque Nacional de Maputo foi inscrito na lista do Património Mundial da UNESCO. O reconhecimento tornou o parque o primeiro Património Natural Mundial de Moçambique e reforçou a importância da conservação dos seus ecossistemas e da biodiversidade que caracteriza esta paisagem do sul do país.
Durante a apresentação ao Presidente da República, foram igualmente mostrados alguns exemplos de iniciativas económicas desenvolvidas pelas comunidades locais. Entre os produtos expostos estavam artigos confeccionados a partir do aproveitamento da pele de gado bovino, incluindo chinelos, sandálias, cintos e botas.
A exposição procurou demonstrar como o aproveitamento sustentável de recursos e a criação de pequenas actividades produtivas podem contribuir para a diversificação das fontes de rendimento das famílias que vivem nas proximidades do parque.
Outro destaque esteve relacionado com a formação profissional de jovens, particularmente raparigas. Algumas beneficiárias de bolsas apoiadas pelo Parque Nacional de Maputo, através da Livaningo, apresentaram produtos da área de culinária, incluindo doces, salgados e bolos, que foram comercializados durante a feira realizada no âmbito da visita presidencial.
A experiência constitui um exemplo de como a formação profissional pode ser associada à criação de oportunidades de rendimento e à inserção de jovens no mercado local. Para além da aquisição de competências, as iniciativas procuram criar condições para que os beneficiários possam transformar conhecimentos adquiridos em actividades económicas capazes de gerar rendimento.
A apresentação contou também com a participação da ADRA International em Moçambique e da Livaningo, instituições que desenvolvem acções de apoio às comunidades da área de influência do Parque Nacional de Maputo, através de assistência técnica e outras formas de apoio ao desenvolvimento comunitário.
A componente comunitária assume particular importância no modelo de gestão das áreas de conservação, uma vez que a sustentabilidade da conservação da biodiversidade está directamente relacionada com as condições de vida e as oportunidades económicas das populações que vivem nas zonas circundantes.
No caso do Parque Nacional de Maputo, a ANAC refere que as comunidades locais beneficiam de mecanismos de partilha de receitas e de programas de apoio a meios de subsistência sustentáveis. Entre as actividades desenvolvidas encontram-se iniciativas ligadas à agricultura de conservação, pesca sustentável, gestão de pastagens, aquacultura, ecoturismo e trabalhos de restauração de ecossistemas, como a reabilitação de mangais.
A aposta na formação profissional e na geração de rendimento enquadra-se, assim, numa estratégia mais ampla de aproximação entre conservação e desenvolvimento socioeconómico. O objectivo é criar condições para que as populações locais possam beneficiar das oportunidades associadas à existência do parque, ao mesmo tempo que participam na protecção dos recursos naturais.
Esta relação entre conservação e desenvolvimento tem sido também considerada em outras intervenções realizadas na região de Maputo. Um exemplo é a Área de Conservação Comunitária de Muwai, no Corredor de Futi, onde seis comunidades participaram na criação de uma área destinada à gestão sustentável dos recursos naturais e à criação de benefícios económicos e sociais para as populações locais.
O potencial turístico do Parque Nacional de Maputo constitui outro dos eixos estratégicos desta abordagem. Para além da observação de fauna bravia, o parque oferece actividades como observação de aves, pesca recreativa e canoagem, beneficiando ainda da proximidade da costa e de áreas de interesse para o turismo de natureza.
Com a classificação como Património Mundial, o desafio passa agora também por transformar o reconhecimento internacional em oportunidades concretas de conservação, turismo sustentável e desenvolvimento para as comunidades locais. A criação de cadeias de valor associadas ao turismo, à produção artesanal, à gastronomia e a outros serviços pode contribuir para ampliar os benefícios económicos associados à área de conservação.
A visita presidencial ao distrito de Matutuíne colocou, deste modo, em evidência duas dimensões que caminham lado a lado no futuro do Parque Nacional de Maputo: a protecção de um património natural de importância internacional e a necessidade de garantir que as comunidades que vivem na sua área de influência tenham oportunidades concretas de melhorar as suas condições de vida.
A experiência do Parque Nacional de Maputo reforça, assim, a importância de modelos de conservação que não se limitem à protecção da fauna, flora e dos ecossistemas, mas que procurem igualmente criar benefícios sociais e económicos para as populações locais. Neste contexto, o turismo sustentável apresenta-se como uma das áreas com potencial para ligar a valorização do património natural à criação de emprego, oportunidades de negócio e novas fontes de rendimento.
O Parque Nacional de Maputo surge, desta forma, como um espaço onde conservação, turismo e desenvolvimento comunitário se encontram, num momento em que o reconhecimento como Património Mundial aumenta a sua visibilidade nacional e internacional e coloca novas expectativas sobre a capacidade de transformar a riqueza natural da região em benefícios duradouros para as comunidades de Matutuíne e para o país.
Elcídio Bila
Oficial de comunicação e criativo com mais de 10 anos de experiência em jornalismo, assessoria de imprensa, edição e produção cultural. A sua trajectória destaca‑se pela versatilidade, cruzando media, criação literária e projectos socioculturais. Reúne competências em escrita criativa, edição de imagem, vídeo e design gráfico, complementadas por capacidade de liderança e gestão de equipas.