A Speranza, Lda., empresa moçambicana especializada em engenharia de software e tecnologia cívica, lança esta segunda-feira (26), no edifício-sede do Banco de Moçambique, a plataforma POUPANÇA, uma solução digital destinada à gestão de grupos comunitários de poupança e crédito, incluindo associações de aforro conhecidas como Xitique.
Apresentada no âmbito das comemorações da Semana Mundial da Poupança, a plataforma foi concebida para facilitar a gestão dos fundos colectivos, reduzir os riscos associados à guarda física de dinheiro e melhorar o controlo das operações financeiras. Uma das suas principais características é o funcionamento através de tecnologia USSD, que dispensa o acesso à internet e permite a utilização de telemóveis básicos.
Ao recorrer à tecnologia USSD, a plataforma POUPANÇA procura responder às limitações de acesso à internet e a equipamentos digitais que ainda condicionam a utilização de serviços financeiros por parte de muitas famílias, sobretudo em zonas rurais e periféricas.
A solução permite que os membros dos grupos de poupança realizem e acompanhem operações financeiras através dos seus telemóveis, sem depender de aplicações móveis ou de smartphones. Desta forma, pretende tornar a gestão dos fundos comunitários mais acessível, organizada e segura.
Entre as principais funcionalidades da plataforma está a substituição dos mecanismos tradicionais de guarda e registo de dinheiro por processos digitais. Nos grupos que recorrem à chamada caixa de metal para conservar as contribuições dos membros, a digitalização procura reduzir a exposição a roubos e desvios de fundos.
A plataforma permite igualmente registar contribuições, créditos e juros, disponibilizando comprovativos e informação sobre os saldos. O registo electrónico das operações visa reduzir erros associados aos cadernos manuscritos, melhorar a prestação de contas e minimizar conflitos entre os membros dos grupos.
Outra componente destacada pela Speranza é a integração de mecanismos de protecção financeira, incluindo micro-seguro associado ao crédito. Esta funcionalidade, no entanto, pretende ajudar a proteger os grupos e os seus membros perante determinados imprevistos que possam comprometer o cumprimento das obrigações de crédito. As condições de cobertura, os riscos abrangidos e os procedimentos de activação deverão ser considerados na avaliação dos benefícios concretos desta componente.
Desenvolvida por engenharia moçambicana, a plataforma foi testada no âmbito do Sandbox Regulatório do Banco de Moçambique, um ambiente de testes controlados destinado a avaliar soluções financeiras inovadoras.
A iniciativa enquadra-se nos esforços de promoção da inclusão financeira e da digitalização dos serviços financeiros no país, em consonância com os objectivos da Estratégia Nacional de Inclusão Financeira 2025–2031.