Sete anos depois do último levantamento nacional, Moçambique volta a ter dados actualizados sobre o estado das suas populações de elefantes e outros grandes mamíferos. O novo censo, realizado entre Setembro e Dezembro de 2025, deverá orientar decisões estratégicas sobre conservação, gestão e combate às ameaças nas áreas protegidas.

O Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas, através da Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC), em parceria com a BIOFUND – Fundação para a Conservação da Biodiversidade e com apoio da Agência Sueca de Cooperação para o Desenvolvimento Internacional (SIDA) e da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), realizou o quarto Censo Nacional de Elefantes e outros Grandes Mamíferos. Os anteriores levantamentos tiveram lugar em 2008, 2014 e 2018.

Para Valério Macandza, professor da Universidade Eduardo Mondlane, a actualização destes dados é urgente. O último censo nacional foi feito em 2018 e, desde então, o país vive um período de incerteza. Em 2008, a estimativa apontava para cerca de 22 mil elefantes. Em 2014, o número caiu para pouco mais de 10 mil e, em 2018, baixou para cerca de nove mil. Sem informação recente, torna-se difícil ao Governo tomar decisões sólidas sobre gestão e conservação da fauna bravia.

O coordenador do Programa de Conservação da Biodiversidade, Samiro Magane, considera que este censo representa um passo determinante na gestão sustentável da vida selvagem. Mais do que números, o levantamento permitirá mapear a distribuição das espécies, identificar áreas de maior concentração e medir os níveis de caça furtiva, fornecendo dados essenciais para decisões estratégicas e definição de quotas baseadas em evidências.

Já o director-geral da ANAC, Pejul Calenga, sublinha que o censo vai além da contagem de animais. O processo permitirá identificar outras ameaças à conservação, como exploração ilegal de madeira, garimpo e mineração clandestina. Também dará uma visão clara sobre a dispersão de assentamentos humanos nas proximidades ou no interior das áreas de conservação, informação considerada crucial para equilibrar a protecção da biodiversidade com os interesses das comunidades.

A realização do censo exigiu um investimento estimado em cerca de um milhão de dólares, mobilizado com o apoio da Embaixada da Suécia, através da BIOFUND, assistência técnica da IUCN, colaboração da Universidade Eduardo Mondlane e do Instituto de Pesquisa em Fauna Bravia da Tanzânia, entre outros parceiros.

Entre os objectivos do levantamento estão a estimativa da abundância e densidade populacional de elefantes, a avaliação de carcaças por faixa etária e respectivos rácios, o mapeamento da distribuição espacial de elefantes vivos e mortos, o registo de actividades humanas e ameaças à conservação, bem como a estimativa de outras espécies de grande porte, incluindo animais domésticos. O processo inclui ainda formação técnica para reforço das capacidades da equipa da ANAC e dos profissionais das áreas de conservação em metodologias de levantamento aéreo.

O Censo Nacional de Elefantes é considerado um instrumento fundamental para monitorar a população de Loxodonta africana e de outros grandes mamíferos em Moçambique, permitindo ao país ajustar políticas de conservação com base em dados científicos actualizados e responder de forma mais eficaz aos desafios ambientais dos próximos anos.

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