Moçambique exibe potencial da Economia Azul na Cimeira Africana sobre o Clima

Hoje (6), cai o pano da primeira Cimeira Africana sobre o Clima, evento que durante três dias juntou, em Nairobi, Quénia, mais de 15 mil participantes a pretexto de criar colaborações internacionais e moldar um futuro sustentável para África.

Moçambique foi representado ao mais alto nível pelo Presidente da República, Filipe Nyusi, que referiu que a sua participação tinha em vista “mostrar a nossa visão em torno da abertura do potencial da Economia Azul Regenerativa em África e além”, durante o painel sobre Soluções de Crescimento Verde e de Financiamento Climático para África e Mundo.

“Mostrei ao continente e ao mundo o que temos estado a fazer no domínio da Economia Azul, incluindo a nossa ambição. Arrolei acções concretas que deixaram a entender que Moçambique está na linha da frente na protecção do mar e seus recursos para responder aos impactos climáticos”, escreveu o chefe de Estado, na sua página do Facebook, sublinhando que “se quisermos bons resultados precisamos de trabalhar juntos e com a visão e plano para dar respostas conjuntas.”

Por isso, sustenta Nyusi, convidou a todos para trabalharem juntos para mudar o mundo. “E deixei claro que temos de parar de reclamar e tomar acções concretas, porque as mudanças climáticas são uma realidade e com efeitos cada vez mais devastadores”, aprofundou, salientando que “é importante que cada um dos nossos países diga o que está a fazer. Se cada fizer a sua parte, venceremos esta batalha.”

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, no seu discurso de abertura, na terça-feira (5) exigiu que os países desenvolvidos cumpram as promessas no combate à crise climática, que atinge de forma desproporcional o continente africano.

“Este continente emite apenas quatro por cento das emissões globais, mas sofre alguns dos piores efeitos do aumento das temperaturas globais: calor extremo, inundações implacáveis e dezenas de milhares de mortes devido a secas devastadoras”, afirmou Guterres.

Durante a 27.ª Cimeira do Clima das Nações Unidas (COP27), em Sharm el-Sheikh, no Egipto, foi aprovado o acordo para um fundo de perdas e danos associados aos impactos da crise climática. Os países desenvolvidos prometeram destinar 100 mil milhões de dólares por ano aos países em desenvolvimento, o que deveria permitir às nações africanas garantir acesso a electricidade verde, a preços acessíveis e criar sistemas de alerta precoce para fenómenos meteorológicos extremos.

Para o secretário-geral da Rede Ambiental Maiombe, Rafael Neto, que integra a delegação angolana em Nairobi, o tema da cimeira é sugestivo porque o objectivo é impulsionar o pensamento verde e encontrar soluções financeiras para o clima.

“É preciso passar em revista tudo o que foi feito. Os países africanos querem mudar de paradigmas, exigindo mais discussão para encontrar soluções para o financiamento climático”, destaca Neto, advertindo que os países desenvolvidos não cumprem as promessas climáticas: “Falta cumprirem os compromissos assumidos no Acordo de Paris e faltam acções práticas. Os países africanos exigem que os países desenvolvidos saiam da teoria para a prática.”

No ano passado, o continente africano registou 80 acontecimentos relacionados às alterações climáticas que tiraram a vida a 5000 pessoas, afectaram 110 milhões de pessoas e provocaram danos económicos na ordem dos 8000 milhões de euros, aponta um relatório da Organização Meteorológica Mundial. As cheias e as secas são as maiores responsáveis pelos impactos no continente africano.

No final da cimeira, marcado para esta quarta-feira, e que conta com a presença de mais de 20 chefes de Estado e de Governo africanos, bem como de líderes de outras regiões do mundo e de organizações internacionais, está prevista a adopção da chamada “Declaração de Nairobi”, um documento que procura articular uma posição comum africana para diferentes fóruns globais.

Os participantes querem ter uma perspectiva unificada do continente para a sua participação na cimeira do clima COP28, no Dubai, marcada para o final do ano, na Assembleia Geral da ONU, perante o Grupo dos Vinte (G20, bloco de economias ricas e em desenvolvimento) ou junto das instituições financeiras internacionais.

Refira-se que a primeira Cimeira Africana do Clima é um evento organizado pelo governo queniano e pela União Africana (UA) sob o lema “impulsionar o crescimento verde e soluções de financiamento para África e o mundo.”

About Us

The argument in favor of using filler text goes something like this: If you use arey real content in the Consulting Process anytime you reachtent.

Instagram

Cart