Durante muito tempo sempre me perguntei o que realmente era a inveja e o que levava as pessoas a sentirem inveja uma das outras. Por causa disso, comecei a prestar muito mais atenção no comportamento humano e considerei como uma pesquisa profunda sobre algo sério.
Quando assistimos as melancólicas novelas mexicanas, onde o ciúme e a inveja que assolam a protagonista são representados de forma dramática, comumente podemos pensar: “ah!, isso é apenas coisa de novela”, mas, conforme andamos em nossa belíssima vida, poderemos sentir inveja dos outros ou ver o quanto os outros sentem inveja de nós. Agora, ainda que saibamos todas essas coisas, ainda não teremos entendido o porquê isso acontece, pois sempre embelezamos e embalamos muito bem este sentimento chamado Inveja.
Se um amigo tem uma conquista notória, é muito comum ouvir de um outro amigo que aquilo que ele realizou é muito simples e que qualquer um teria conseguido.
Se a nossa prima se forma na Universidade, poderemos ouvir que ela convidou toda a família para a sua festa de graduação na expectativa de se exibir e que ela realmente gosta de se mostrar e, ainda, de que vale o canudo na mão se nem marido tem. Enfim, é assim como as famílias africanas agem.
Logo, aprendemos, desde cedo, que é normal pensar e falar estas coisas, afinal de contas, não é nada demais, apenas estamos a dizer a verdade inabalável.
Se pararmos para reflectir um pouco, talvez não um pouco, reflectir muito, começaríamos a observar que gostaríamos de alcançar as realizações alcançadas pelos nossos amigos e familiares, gostaríamos de dizer aos demais que conseguimos, encarnar em suas vidas, gostaríamos até de parecer como tais pessoas, vestir as suas roupas, mas, por um instante, lembramo-nos que não somos como elas e por isso as odiamos.
Daí não paramos mais, decidimos que a melhor alternativa para o que sentimentos é criar um clube de fofoca para que realmente possamos nos dedicar a falar dessas pessoas. Mas há um problema, não poderemos criar um clube sozinhos, precisamos de mais pessoas para serem membros activos desse clube. A partir daí, dedicamo-nos a um novo tipo de trabalho – atrair membros para o nosso clube – fazemos campanhas apelativas, convidamos potenciais membros para almoços e até oferecemos algum ‘agradinho’. De repente, somos um clube de fofoca forte, com muitos membros, cujo objectivo é falar e pensar mal de determinadas pessoas. Quanto tempo gastamos com isso… meu Deus!
Por fim, temos dias e noites a falar e comentar sobre a vida alheia, exaltando e criticando pessoas que bem ou mal estão a trabalhar em prol do sucesso de suas próprias vidas, achamos normal trabalhar para o sucesso do outro, negligenciando a nossa própria vida.
Como você pode ver, a inveja é como uma sombra que pode fazer você se esconder da sua própria vida a favor de viver a vida dos outros.
Jacqueline Ngomane
Jacqueline Ngomane é advogada, licenciada em Ciências Jurídicas pela Universidade Politécnica – A Politécnica. Jovem inquieta e intelectualmente comprometida, dedica-se à análise de temas sociais e humanos, com especial interesse na reflexão crítica sobre a realidade contemporânea. Encontra na escrita de opinião um espaço de intervenção cívica, onde articula pensamento jurídico, sensibilidade social e posicionamento consciente, contribuindo para o debate público com lucidez e coragem.