Um grito de revolta poético e empenhado para construir pontes entre culturas e acabar com os medos instrumentalizados que impedem o mundo de dar a volta. É esse o mote do espectáculo que resulta da colaboração entre o escritor moçambicano Mia Couto e a companhia multicultural Théâtre Spirale, dirigida por Patrick Mohr.
“Murar o medo” ou “Murer la peur” na forma como está a rodar na França e na Suíça, neste mês de Março, aborda a questão dos medos que inibem os seres humanos, mas que fazem o negócio daqueles que têm interesse em mantê-los vivos. O medo do desconhecido, o medo dos outros, o medo de perder o emprego ou de não o encontrar... todos estes medos são como muros construídos no nosso caminho. Mas, e se os fechássemos e avançássemos juntos?
Há, na obra, citações de palavras poderosas de Mandela, Gandhi, Sankara e outros, bem como a música do estilo jazz, o slam e melodias africanas. “Murer la peur” é um verdadeiro manifesto optimista, cheio de vitalidade e humor, que denuncia os fracassos do nosso mundo e imagina alternativas poéticas e dissidentes.
Combinando teatro, música e dança, este espectáculo reúne oito actrizes e cinco músicos de uma vasta gama de origens culturais, maioritariamente do Senegal. O elenco é enriquecido pela participação de artistas suíços, franceses, italianos, cubanos, burquinenses, sul-africanos e malineses. Desde a sua criação, o Théâtre Spirale estabeleceu vínculos valiosos e duradouros com artistas de todas as esferas da vida, especialmente da África. Esta nova criação é uma oportunidade de fortalecer esses laços unindo forças.
Entre actrizes, músicos e dançarinos estão Ami Badji, Mame Diarra, Gnagna N'diaye, Cathy Sarr, Aissatou Syla, Maimouna Doumbia e Amanda Cepero. E ainda a participação de Khalifa Mbaye, Papis Diabaté, Adama Diop, Fallou Diop, na composição e música. A coreografia é montada por Diwele Lubi e Aïssatou Syla.