Moçambique enfrenta um prejuízo anual de 11 milhões de meticais em despesas relacionadas a doenças provocadas pelo uso de tabaco, que corresponde a 1,3 por cento do PIB do país, conforme revelado recentemente pela Directora Adjunta de Saúde Pública, Alene Couto.
O estudo revela que aproximadamente 13,7 por cento da população adulta consome tabaco, com uma preocupação especial em relação aos jovens, que estão cada vez mais expostos ao fumo passivo.
Ainda de acordo com a mesma fonte, as consequências são devastadoras, pois, cerca de 9,300 mortes anuais resultantes de doenças associadas ao cigarro, como tuberculose, acidentes vasculares cerebrais e doenças isquémicos do coração.
Couto afirmou que há urgência em reforçar as medidas de controlo do tabaco, portanto, sem acções efectivas, a previsão é de que, em 15 anos, o país possa enfrentar perdas acumuladas de 128 mil milhões de meticais.
Por outro lado, se forem aplicadas estratégias de controlo, espera-se que as perdas possam ser reduzidas para 83,5 mil milhões e até para 44,5 mil milhões até 2035. Além disso, a implementação bem-sucedida destas iniciativas poderia evitar 53,400 mortes e economizar até quatro bilhões em despesas com saúde.
“Se conseguimos algum controlo, temos perdas de 83,5 mil milhões e podemos reduze-las para 44,5 mil milhões até 2035. Ademais, será possível evitar 53,400 mortes e poupar quatro bilhões em despesas de saúde,” explicou a gestora.
Entre as principais propostas apresentadas, está a elevação do custo do tabaco em 47 meticais ao longo dos próximos três anos. Essa medida visa dificultar o acesso ao produto para as populações mais vulneráveis, que, segundo Couto, são as que mais sofrem com os efeitos nocivos do tabagismo.
A directora também enfatizou a importância de elaborar um plano estratégico multissectorial que integre diferentes sectores como indústria, comércio, agricultura e saúde, visando uma abordagem abrangente ao combate ao tabaco. Além disso, ela sugeriu incentivos para que os produtores de tabaco considerem alternativas mais saudáveis e lucrativas, promovendo assim a transição para práticas sustentáveis.
O Representante da Organização Mundial da Saúde (OMS) em Moçambique, Severin Von Xylander, enalteceu os esforços do governo em abordar a proposta de lei de controlo do tabaco, reconhecendo a relevância de fortalecer os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável, especialmente o que visa a redução da mortalidade prematura por doenças não transmissíveis até 2030.
O empenho em implementar medidas efectivas para o controle do tabaco indica um compromisso crescente com a saúde pública em Moçambique, reflectindo a necessidade urgente de acções que protejam a população e promovam um futuro mais saudável e sustentável. As próximas parcelas desse plano visam não apenas mitigar os danos já causados, mas também construir um ambiente que desencoraje o consumo de tabaco, especialmente entre os jovens e nas comunidades mais vulneráveis.
Célia Matavel